"Alunos de saxofone e irmãos que já tocam que utilizam ponte móvel (prótese/dentadura): existe uma forma diferente de se fazer a embocadura ou a embocadura é a mesma de quem possui dentes? A pressão que tem que ser feita é a mesma de uma pessoa que possui a dentição ou não?"
Proponente: irmão Daniel - Tamarana-PR
Giancarlo:
Irmão Daniel, gostaria de expor melhor o tema proposto para os irmãos poderem entender melhor?
Maurício
Ótimo, gostaria que fosse incluído também quem usa aparelhos ortodônticos.
Daniel:
A Paz de Deus a todos.
Pedi esse tema ao nobríssimo administrador para considerarmos algumas realidades...
Percebe-se que não poucos irmãos já antigos e de idade que tocam saxofone vão aos poucos "perdendo" a embocadura... Na verdade, dá a impressão que altera-se o tamanho da boca ou formato, o que faz todo o sentido pois ao envelhecer vamos "diminuindo" de tamanho. Temos aqui alguns irmãos que tocavam maravilhosamente bem e de uns tempos pra cá o som deles mudou muito. Muito portamento que não havia antes.
Não sei se tem haver o que estou dizendo mas parece que necessita de observar melhor a palheta e a boquilha mais indicada para quem está aparentemente perdendo a firmeza na embocadura.
Outro sim, percebo que esse "perder" da embocadura por esses irmãos, são eles usuários de próteses dentárias, pontes etc... Portanto:
Existe diferença na embocadura por quem usa e por quem não usa próteses?
A impressão que eu tenho que a embocadura desses irmãos em questão mudou, é real? Ou coisa da minha cabeça?
Existe como ajudar esses irmãos com alguma orientação, com muito cuidado, para que eles mesmos possam sentir e ouvir um melhor som como antes?
A paz de Deus! Para responder alguma coisa sobre essa questão, entrei em contato com um especialista, no caso o Dr. Alexandre de Alcântara, dentista especialista em cuidados com músicos. Segue resposta:
"Oi Giancarlo. Em relação a próteses como dentaduras e parciais removíveis a alteração na embocadura é maior do que quem não usa. O que acontece em ambas é o desgaste tanto do dente quanto das próteses fazendo com que a mandíbula se movimente mais para a frente, e apertando mais um dente contra o outro. Isso faz com que a musculatura que anteriormente era mais tonificada, fique cada vez mais flácida, fazendo com que haja inclusive perda da resistência para tocar. O correto é manter as arcadas sempre em equilíbrio, ou seja, quando desgastar o dente ou a prótese, deve-se acrescentar e não desgastar ainda mais. É aquela famosa situação em que o dentista pergunta se está alta a restauração, e quando o paciente diz que está, o dentista vai e desgasta. Neste momento o correto é deixar alto. Isso é como um carro com pneus descalibrados. Quanto mais murcho os pneus mais a lataria sofre atrito. Isso é similar ao nosso envelhecimento. Então é isso. De forma resumida.
Vídeo 1 - Dr. Alexandre de Alcântara
Vídeo 2 - Dr. Alexandre de Alcântara
Vídeo 3 - Dr. Alexandre de Alcântara
Observem este vídeo.
Embora seja falando do trompete, é bem bacana. Por ele dá para analisar da seguinte forma: no trompete, o bocal "empurra" a prótese para trás, por isso a dica de utilizar um fixador ou implantar alguns dentes fixos, para a prótese ter fixação.
No caso específico do saxofone, não temos esse problema, pois a prótese apóia de encontro à gengiva. Tenho um aluno já de uma certa idade. Ele é iniciante. Começou comigo com os dentes naturais, mas infelizmente teve que tirá-los, e colocar uma prótese. Evidentemente que ele teve que ficar alguns meses afastado, mas já passou o período de adaptação e já está tocando normalmente, com a embocadura como se estivesse com sua dentição natural.

Amarildo Nascimento e Dr. Alexandre Alcântara